Com o envelhecimento da frota de veículos no Brasil, cresce também a demanda por peças de reposição.
Em paralelo, o comércio eletrônico tem desempenhado papel central na forma como oficinas, lojistas e consumidores finais acessam essas peças. Segundo o Global Payments Report, da Worldpay from FIS, o e-commerce no Brasil cresceu 20% nos últimos três anos, com projeção de alcançar 55,3% até 2025. Esse avanço tem reflexos claros também no mercado de autopeças.
Aumento da procura por peças para veículos mais antigos
Diferentemente do que se imagina ao falar de “carros antigos”, a maior parte da frota em circulação com necessidade de manutenção não é composta por veículos clássicos, mas sim por modelos fabricados antes ou logo após 2010. De acordo com o Sindipeças, mais da metade (55%) da frota brasileira tem entre 6 e 15 anos de uso. Já os veículos com até 5 anos representam apenas 28% da frota.
O cenário é semelhante em outros países da região. Na Argentina, por exemplo, a média de idade dos veículos em circulação passou de 11,7 anos em 2019 para 12 anos em 2020, segundo o site The Logistics World. Esses dados evidenciam uma tendência que impacta diretamente o mercado de peças: veículos mais antigos requerem mais manutenção e peças específicas, muitas vezes difíceis de encontrar nas lojas físicas tradicionais.
Digitalização preenche lacunas do mercado de reposição
Com a dificuldade de encontrar peças para modelos fora de linha, oficinas e consumidores passaram a buscar alternativas mais rápidas e eficientes. O e-commerce se consolidou como solução prática e confiável. Plataformas digitais começaram a oferecer catálogos completos, com maior variedade de marcas e modelos, facilitando a identificação e aquisição das peças certas.
Segundo a Fenabrave, o número de brasileiros comprando veículos com mais de 11 anos de uso subiu de 17,8% em 2019 para 25,5% em 2022. Esse envelhecimento da frota também ampliou o mercado de pós-venda — incluindo não apenas peças, mas também acessórios e serviços relacionados à manutenção.
Fabricantes e distribuidores apostam na digitalização
Fabricantes e distribuidores de autopeças têm investido na digitalização dos seus catálogos e na integração com plataformas de vendas online. Marcas como Bosch, BMW e GM já estão presentes no ambiente digital, oferecendo ao cliente final uma navegação mais intuitiva, com fichas técnicas padronizadas e filtros de compatibilidade por modelo e ano do veículo.
Além disso, a automatização de preços e estoques permite ajustes em tempo real, reduzindo o risco de erro e evitando ruptura de produtos. A digitalização também facilita o compartilhamento de dados entre fabricantes, distribuidores e varejistas, otimizando o abastecimento e a gestão da cadeia como um todo.
Benefícios para oficinas, lojistas e consumidores
A transformação digital no setor de autopeças vai além da comodidade. Ela permite que uma oficina de pequeno porte, por exemplo, encontre rapidamente a peça correta sem depender de ligações para múltiplos fornecedores. Já o lojista pode comparar prazos e condições de entrega, melhorando sua operação. Para o consumidor final, há mais opções, preços competitivos e maior confiança ao visualizar a peça correta com imagens e informações detalhadas.
A tendência é que esse movimento continue ganhando força, especialmente diante da capilaridade do Brasil. Com acesso à internet e uma logística cada vez mais eficiente, lojas virtuais conseguem atender clientes em todos os estados, inclusive em regiões com menor oferta de lojas físicas especializadas.
O papel estratégico do e-commerce nas vendas de peças
Mais do que uma alternativa, vender autopeças online tornou-se uma necessidade estratégica para quem atua no setor. Fabricantes e distribuidores que automatizam seus catálogos e processos logísticos ganham velocidade, ampliam o alcance e reduzem custos operacionais.
Mesmo que o futuro da frota brasileira ainda seja incerto — se continuará envelhecendo ou passará por renovação —, o certo é que as peças de reposição seguirão em alta demanda. Estar preparado para atendê-la de forma eficiente e digital é, hoje, uma vantagem competitiva decisiva.











