De acordo com dados da CAFAM (Câmara de Fabricantes de Motoveículos), nos últimos anos a moto deixou de ser um veículo secundário para se tornar uma opção real e massiva de mobilidade. Em um cenário em que o combustível e os automóveis estão cada vez mais caros, as duas rodas oferecem uma alternativa mais econômica e funcional para o deslocamento, especialmente em cidades congestionadas como Buenos Aires.
Atualmente, os preços dos modelos mais procurados partem de cerca de 1,4 milhão de pesos e podem ultrapassar 3,7 milhões, dependendo do segmento e dos equipamentos. Embora os valores aparentem estabilidade, 95% dos componentes de uma moto são importados, o que faz com que seu preço esteja diretamente ligado à cotação do dólar.
Manter uma moto: quanto custa rodar
Os custos de manutenção variam conforme a cilindrada. Em uma moto de 110 cc, encher o tanque custa cerca de $5.000, enquanto o seguro básico gira entre $15.000 e $20.000.
Para motos de até 250 cc, os custos aumentam: o abastecimento pode chegar a $10.000 por tanque e o seguro varia entre $30.000 e $40.000.
Já as motos de alta cilindrada, a partir de 500 cc, envolvem outro patamar de gastos: entre $20.000 e $30.000 por tanque, seguros que podem chegar a $60.000 e serviços que superam centenas de milhares de pesos, especialmente em modelos importados.
Outro ponto crítico é o financiamento: com taxas que ultrapassam 100% ao ano, muitos compradores optam por pagar à vista ou simplesmente adiar a compra.
Um mercado com números recordes
Entre janeiro e agosto de 2025, mais de 415.000 motos foram emplacadas, representando um crescimento de 38,9% em relação ao ano anterior.
As motos de baixa cilindrada (101 a 250 cc) lideram o mercado com quase 49.000 unidades. Em seguida aparecem os modelos de 251 a 500 cc e os de 501 a 800 cc, que, apesar de mais caros, apresentam crescimento constante.
Por categoria, as Cub Underbone continuam sendo as mais vendidas, embora as motos Street, On-Off e Scooters ganhem espaço graças à sua versatilidade.
As províncias com maior volume de emplacamentos são Buenos Aires, Santa Fe, Córdoba e Chaco, onde a moto se consolida como a opção mais prática de transporte diário.
O novo perfil do comprador
O usuário atual não busca velocidade extrema nem design esportivo, mas sim mobilidade, economia e versatilidade.
As motos populares de 110 cc seguem relevantes, porém perderam participação. Em contrapartida, os scooters cresceram 40%, as off-road 58% e as custom 60%, refletindo uma mudança clara de prioridades.
Os scooters se destacam pelo conforto no uso urbano, enquanto as motos todo-terreno são valorizadas pela capacidade de adaptação ao asfalto e a estradas rurais.
“As motos se tornaram uma ferramenta de trabalho e do dia a dia”, afirmam especialistas do setor. Tudo indica que 2025 deve encerrar com mais de 600.000 emplacamentos, cerca de 20% acima da média histórica.
O 'boom' das duas rodas
A Argentina vive um verdadeiro boom das duas rodas. Com preços mais competitivos que os automóveis, custos de manutenção acessíveis e uma comunidade de usuários em expansão, as motos conquistam espaço não apenas nas ruas, mas também na cultura urbana.

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